domingo, 4 de dezembro de 2011

ABEPORÁ DAS PALAVRAS NO ANIVERSÁRIO DO PADRE PAULO DA IGRJA JESUS DE NAZARÉ

                                    
Os Estatutos do Homem
(Acto Institucional Permanente)
Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida e, de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.
Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.
Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.
Artigo IV
Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.
Parágrafo único:
O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.
Artigo V
Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.
Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.
Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.
Artigo XI
Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela. Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.
Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.
Artigo Final
Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.
Thiago de Mello, Santiago do Chile, Abril de 1964
                                             
                                                          ABEPORÁ DAS PALAVRAS




ABEPORÁ DAS PALAVRAS 2012

O Abeporá das Palavras inicia suas atividades para o ano de 2012, já no fim de 2011, com a 1ª edição da Agenda Abeporá das Palavras, ta quentinha e saindo do forno para toda a sociedade amapaense.
É uma agenda com o jeito Tucuju... Poetas e Escritores do Amapá publicam suas obras literária. É mais um projeto de incentivo a Literatura do Estado.
No dia 22/12 já se encontrará a disposição de todos, só entrar em contato com o Grupo Abeporá das Palavras pelo email - abeporadaspalavrasap@hotmail.com, ou pelos celular: 96 91627253 - 96 91324111 - 96 91482842 

sábado, 19 de novembro de 2011

DEDICATÓRIA


Hoje me deu uma vontade louca de ti


Vontade de possuir-te alucinadamente


Indecentemente abocanhar tuas entranhas


Até sentir teu gozo escorrer por minha face


Tuas unhas penetrando em minha pele


Teus dentes cravados em meu corpo

Num frenesi alucinadamente orgiacal

Hoje me deu uma vontade louca de ti

De teus sussurros gritos e gemidos

Do suor de nossos corpos mesclando-se

De teus seios invadindo minha boca

De prazer sentir-te quase louca

Sentir os sentidos perderem o sentido

Num delírio de êxtase volúpia e desejos

Saciando minha sede na saliva de teus beijos

Minhas mãos percorrendo todo teu corpo

Sentir teu cheiro de fêmea impregnando o ar

Ouvindo palavras soltas e sem sentido

E o pedido de vem quase como uma súplica

Sentir tua respiração excitadamente arfante
Tua entranha molhada de tanto prazer

Pois hoje senti uma vontade loca de ti

O que me faz querer-te haja o que houver

Pois isso só mostra o quanto lhe quero

Em minha vontade de que seja minha mulher.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UM POUCO DE CECÍLIA MEIRELES...

Ou isto ou aquilo


Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

UMA POESIA FLORBELA

Supremo enleio
Florbela Espanca
Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

Erva do chão que a mão
de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda...

Ilustração de Eugénia Tabosa


Conheci Florbela numa época de grandes descobertas. Era tudo tão revolucionário,tudo tão novo... o mundo se abria e eu me abri pra Florbela.
 

Governador Garante a Participação da Literatura na 48ª Expo Feira.